Caso Hyara Flor: três anos após morte de adolescente, MP-BA solicita novas diligências sobre armas atribuídas ao sogro
Três anos após a morte de Hyara Flor Santos Alves, adolescente cigana de 14 anos, o caso voltou a ter movimentações na investigação. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) solicitou novas diligências à Polícia Civil para esclarecer pontos relacionados às armas que teriam ligação com o crime ocorrido em julho de 2023, no município de Guaratinga, no extremo sul da Bahia.
Informações divulgadas na ultima quarta-feira (7 de outubro de 2026). Entre as medidas solicitadas estão novos depoimentos para apurar a posse e a propriedade de armas atribuídas ao sogro da adolescente. Um dos objetos mencionados é um revólver que aparece nas mãos do homem em um vídeo gravado em um bar. A família de Hyara acredita que essa arma pode ter sido utilizada no disparo que matou a jovem.
Segundo as informações publicadas, o Ministério Público já havia solicitado diligências semelhantes em setembro de 2024. O pedido voltou a ser apresentado em julho de 2026, reforçando a necessidade de esclarecer aspectos que permanecem sob questionamento.
Morte ocorreu dentro da residência dos sogros
Hyara foi atingida por um tiro no queixo em 6 de julho de 2023, dentro da residência dos sogros, onde morava após se casar com outro adolescente da comunidade cigana.
Na primeira investigação, concluída aproximadamente um mês depois da morte, a Polícia Civil apontou que o disparo teria ocorrido acidentalmente durante uma brincadeira entre Hyara e o cunhado dela, que tinha 9 anos na época. Essa versão foi contestada pelos familiares da vítima, que passaram a questionar a dinâmica do disparo e a autoria do crime.
O então marido da adolescente chegou a ser apreendido durante as investigações iniciais, mas foi liberado após a conclusão daquele primeiro inquérito.
Novas perícias trouxeram outros desdobramentos
A contestação da família levou à realização de novas análises técnicas. Em 2024, o caso teve novos desdobramentos após exames periciais apontarem a presença de material genético do então marido de Hyara na arma utilizada no crime, conforme informações divulgadas pela imprensa baiana.
Em agosto daquele ano, o adolescente voltou a ser apreendido, em Itapetinga, por suspeita de ato infracional análogo ao feminicídio. Em setembro de 2024, a Justiça determinou sua internação por prazo indeterminado no âmbito do processo.
A família também contratou um perito particular, cujo parecer questionou a hipótese de que o disparo teria sido efetuado acidentalmente por uma criança. Os familiares sustentam ainda uma possível motivação relacionada a conflitos entre integrantes das famílias, mas essas alegações precisam ser diferenciadas das conclusões oficialmente estabelecidas.
Investigação busca esclarecer pontos pendentes
Com a solicitação de novas diligências, a apuração volta a examinar questões relacionadas à posse das armas e às pessoas que poderiam ter tido acesso a elas. Os depoimentos e demais medidas poderão contribuir para esclarecer a dinâmica da morte e confrontar as diferentes informações reunidas ao longo do caso.
Em agosto de 2026, o Ministério Público informou à imprensa, por meio de nota, que o processo tramitava regularmente na Vara de Guaratinga e que não poderia fornecer mais detalhes porque o caso está sob segredo de Justiça.
A nova solicitação de diligências não significa, isoladamente, uma conclusão definitiva sobre todos os aspectos do crime. O caso continua cercado de questionamentos, e a expectativa é que as medidas solicitadas contribuam para o esclarecimento dos fatos e para a responsabilização conforme o que for apurado pela Justiça.
Alcobaça em Foco / Por Redação

