Controlador do Banco Master aponta “forças internas” no BC em investigação da Operação Compliance Zero
Redação
Brasília, DF – 24 de janeiro de 2026 – O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, declarou em depoimento à Polícia Federal que a diretoria de fiscalização do Banco Central (BC) apoiava inicialmente uma solução de mercado para evitar instabilidade no sistema financeiro, mas que “forças internas” dentro da instituição teriam atuado para retirar o banco do setor.
Depoimento
Vorcaro afirmou que foi surpreendido pela ordem de prisão, já que o BC acompanhava de perto todas as operações do Master, incluindo a venda ao Banco de Brasília (BRB). “Não tinha nada que acontecesse no banco que o Banco Central não acompanhasse ou que não soubesse”, disse.
Segundo ele, o BC notificou o Master em março sobre questões envolvendo a contratação de associações para cobrança de carteiras de crédito, mas após as explicações não houve novos apontamentos até sua prisão em novembro.
Papel da fiscalização
De acordo com o Banco Central, a área comandada por Ailton de Aquino, diretor de fiscalização, foi responsável por identificar inconsistências nas operações do banco e comunicar supostos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal. Aquino também prestou depoimento à PF.
O BC foi procurado pela imprensa para comentar as declarações de Vorcaro, mas não se manifestou.
Investigação
O depoimento de Vorcaro foi prestado em 30 de dezembro, no Supremo Tribunal Federal (STF), e antecedeu uma acareação com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A investigação é conduzida pelo ministro Dias Toffoli.
A Operação Compliance Zero segue em andamento, e a PF ouvirá outros oito investigados nas próximas segunda e terça-feiras. Segundo Toffoli, os depoimentos são necessários “para o sucesso das investigações” e “como medida de proteção ao sistema financeiro nacional”.

